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Nova Viçosa: Manifestações culturais homenageiam quilombos em Helvécia

21 de novembro de 2011

Mestre de capoeira Reginaldo e a secretária geral “Tidinha” da Associação Quilombola de Helvécia, Rubens Floriano vice-presidente da Fundação Mamãe África e a educadora social Rose Muniz, da Recid

Terminaram na noite deste domingo (20/11), as manifestações comemorativas em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra do distrito de Helvécia, no município de Nova Viçosa, a maior e mais tradicional comunidade quilombola do extremo sul da Bahia. As manifestações culturais ocorreram durante toda semana da consciência negra sob a promoção da AQH – Associação Quilombola de Helvécia, entidade que representa legalmente Helvécia enquanto comunidade quilombola.


 
O calendário festivo contou com a contribuição de várias empresas privadas e instituições ligadas à cultura afra descendente e apoio da Fundação Mamãe África de Caravelas. Durante os 5 dias de comemorações, ocorreram missas afras, procissões religiosas, arrastões culturais, danças de rodas, dança do bate barriga, rodas de capoeira e dança do maculelê.


 
O quilombo de Helvécia, embora seja o mais antigo e tradicional reduto de negros remanescentes de mocambos do extremo sul baiano, só foi na realidade reconhecido como comunidade quilombola em 2005, pela Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura. O distrito quilombola de Helvécia, no município de Nova Viçosa, possui cinco datas no calendário festivo do seu quilombo por ano: 20 de janeiro, 13 de maio, último domingo de setembro, 20 de novembro e o encontro nacional de capoeira no último final de semana de novembro.


 
A secretária geral da Associação Quilombola de Helvécia, Maria Aparecida “Tidinha”, destaca que o movimento negro já conseguiu inserir o “20 de novembro” como dia de reverência à maior experiência de luta por igualdade em nosso país, o Quilombo dos Palmares e ao seu líder maior, herói nacional do povo brasileiro, Zumbi. 20 de novembro é dia de o povo ocupar as ruas e não de esvaziá-las tirando o sentido dessa comemoração que junto com o 2 de julho que é protagonizada pelas camadas populares.


 
A secretária “Tidinha”, disse ainda que o objetivo da entidade é dar voz e vez ao povo Quilombo. “Temos responsabilidade com a construção de novas relações, onde se respeite e valorize as nossas raízes. E ficamos muito felizes por termos aqui grandes amigos e a presença de representantes de tantas importantes e parceiras entidades ligadas a educação e a cultura afra descendente para que sigamos sempre construindo novas relações e valorizando as diferenças”, festejou.


 
Presente no encerramento do evento na noite deste domingo (20), a pedagoga Rose Muniz, da Recid – Rede de Educação Cidadã no Extremo Sul da Bahia, organismo instituído pelo Governo Federal, disse que o alargamento conceitual acerca da definição do quilombo permitiu a construção de um rol de políticas voltadas exclusivamente para as necessidades territoriais, sociais, econômicas e culturais das comunidades quilombolas, estejam elas nos centros urbanos ou no meio rural. Em consonância com estas ações, podem ser elencados artigos constitucionais, instruções, decretos e outras regulamentações dispõem sobre os compromissos firmados entre o Estado e as populações quilombolas.


 
Falando à reportagem do Teixeira News no local do evento, a moradora de Helvécia, Gilcinete Joaquim Santos “Netinha” que é pedagoga e historiadora pela Universidade Estadual da Bahia – UNEB, que palestrou no evento sobre a importância do texto histórico de Helvécia, destacou que o dia da consciência negra é uma forma de lembrar o sofrimento dos negros ao longo da história, desde a época da colonização do Brasil, tentando garantir seus direitos sociais e, sobretudo, é uma época de resgate cultural e da sua história geográfica, devendo se comemorar com grandes ensinamentos.

Por: Athylla Borborema ( Teixeira news)


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